sábado, 13 de março de 2010
Desalento
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Quando os muçulmanos eram tolerantes....
No entanto, nós somos seres humanos e como tal não podemos estar equilibrados nem em paz durante muito tempo. Portanto, começaram a ser feitas algumas restrições, que foram obrigando as minorias a passar à maioria ou a deslocar-se e, com o tempo, foi construída uma sociedade cada vez mais fechada à cultura exterior, uma sociedade muito apegada a uma tradição forjada em interesses políticos que muitas vezes se desviam das intenções originais do islão e do Profeta.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Parvoíce seguida de reflexão
Então, não somos hispânicos para não nos confundirem com os castelhanos, mas somos iberos, ainda que estes tenham ocupado o território castelhano todo. Conclusão interessante.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Shh!...
Desabafo de quem se está a redescobrir
É no período de transição que me encontro agora, o de redescobrir a independência e o acordar do espírito livre que vive em mim.
Por isso, vou tratando da minha vida sozinha, vou onde preciso ir sem companhia e de cada vez que o faço apercebo-me de que eu e o que está à minha volta, nomeadamente o que é novo e desconhecido, tem o potencial de me preencher e de me trazer momentos de felicidade. Como querem que abdique desses momentos para ir para casa, para os problemas da família, para levar com preocupações mal fundamentadas, para atender telefonemas que não me trarão nada de novo, para invadirem o meu espaço com histórias que, ou não têm interesse, ou não fazem bem ao espírito, como conversas tristes ou discussões e constatações de uma realidade infeliz, sem sonhos positivos para o futuro. A minha resposta é não, não abdico dos meus passeios por Lisboa, nem dos meus momentos sós, desligada de tudo o que me rodeia, a não ser o que não comunica por palavras. A única coisa que me fará comunicar é a perspectiva de sorrir, rir ou maravilhar-me com o entendimento e a companhia que o silêncio e um simples olhar podem criar quando estamos na presença de pessoas de quem gostamos e que gostam de nós, aquelas que conhecemos e que nos conhecem verdadeiramente.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Paixões

quinta-feira, 28 de maio de 2009
Palavras
Para que servem as palavras?
«São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparados, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
creis, desfeitas,
nas suas conchas puras?»
Eugénio de Andrade, 'As Palavras' in Até amanhã
As palavras têm impacto?
Têm para quem as quer ouvir e sentir porque quem não quiser facilmente cria uma barreira contra as mesmas.
Penso que são válidas até deixarem de ter fundamento, até serem proferidas sem sentido ou para o mal, pois as palavras existem num contexto e se esse contexto for válido, então as palavras também o são, se assim não for, as palavras perdem peso, ainda que o receptor sinta o impacto das mesmas, o que é um tema à parte, porque a validade tem de ser entendida pela razão e o impacto está implícito no campo da sensibilidade.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
'Vocabularizando'
Para que tal fenómeno metafísico pudesse acontecer em mim, tive de ser persignada pelo Universo e pela relatividade e, com um abrenunso divino, etéreo, 'Fiat lux!' e um demónio surgiu dessa luz para me ensinar e acompanhar.
Agora passeio-me pelo tempo e pelo espaço, criando sonhos e vontades que me ajudem a construir o meu pequeno memorial, para que este se possa reunir em convento com os restantes memoriais da história, independentemente do seu tamanho físico ou grandeza contextual.
"Faiz favô di sê felizes!"
Sejam saudáveis e permitam-se sentir e permitam-se sentir para serem saudáveis e, como já ouvi e referi no título, "Faiz favô di sê felizes!"
domingo, 17 de maio de 2009
E chora Blimunda
quarta-feira, 13 de maio de 2009
'Circularidade' circular
A gripe suína é uma doença que se apresenta como uma gripe vulgar e é transmitida da mesma forma que a mesma, alastrando rapidamente devido à falta de hábitos de higiene pessoal e 'comunitária', como não lavar as mãos ou tossir e espirrar sem colocar a mão à frente. Essas faltas (não propositadas e sem suspeitar mal) fazem com que este género de doenças se alastre bastante rápido e por todos os cantos do planeta, devido à globalização.
No passado vivemos outras epidemias, não a uma escala global, mas que ainda assim, no contexto evolutivo da época foram catastróficas, como a peste negra no século XV, a tuberculose no século XIX, vírus da SIDA no século XX e XXI, entre outras. No Memorial do Convento encontramos um surto epidémico de peste negra que mata um número razoável de pessoas, uma vez mais resultado da falta de higiene da população.
Nisto se conclui que a vida do Homem é circular, tal como a estrutura narrativa do Barroco, pois o tema é sempre o mesmo, tendo apenas pequenas variações (estilo, arte, ciência, escala) que escondem e embelezam a 'estória' da humanidade. Assim se passam XXI séculos com capítulos bons, menos bons e maus que, se forem resumidos à sua essência, resultam num só. Uma pequena grande parte desse capítulo pode ser encontrada no Memorial do Convento: os governos e governantes representados por D. João V (que se apresenta como personagem complexa, não completamente estúpido); a condição feminina representada pela rainha e também por Blimunda (apresentando as duas formas de como as mulheres são tratadas pela sociedade: ora como seres da casa e da reprodução, ora como seres inteligentes e capazes, com outras 'funções' à parte da de «vaso de receber»), o casamento (por conveniência em oposição à união amorosa); a luta de classes e a estratificação social, que no século XVIII era por ordens, determinadas maioritariamente pelo nascimento e, actualmente, organizada por classes, determinadas, em grande parte, pelo poder monetário; as guerras; as crises económicas e políticas que culminam em revolução, sendo que revolução indica uma volta de trezentos e sessenta graus, o que significa o recomeço de outro ciclo, outro capítulo circular com o raio maior que o anterior e que apresenta algumas variações, mas cuja base é sempre a mesma: origem, a construção/reconstrução, os dilemas, os problemas, a crise e a revolução. Desta forma vive o Homem desde os primórdios da sua existência: em conflito, em crise, em círculo. Tudo isto tem o propósito de aprendizagem, é o método evolutivo da humanidade e como a circunferência é considerada a forma geométrica perfeita, talvez este método seja também ele perfeito, embora duvide, pois a circunferência XXI tem um raio tão grande como o globo terrestre (por isso vivemos numa aldeia global) e apresenta uma curva tão imensamente densa de fumos, intolerâncias, dinheiros e bombas, que julgo que poderá fazer com que o seu centro (o planeta terra) impluda, impossibilitando, não uma revolução, mas sim uma evolução.
Cai a chuva, escorrem ideias
O mundo aos olhos de Deus
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Escrever-Escrevo-Escreve
(Esta ideia poderia continuar a ser desenvolvida, como muitas outras presentes neste blog, mas por agora, fica/ficam por aqui. Pergunto-me como abordarei estas questões daqui a uns tempos, quando tiver mais experiência de vida).
domingo, 3 de maio de 2009
Reflexão intercalar

Penso que as últimas seis publicações deste blog representam parte da minha evolução pessoal e também da minha expressão. Com Saramago apercebi-me mais uma vez de quão longe me encontro de me encontrar e de chegar à perfeição, se não a geral, à minha perfeição.
Gostei muito de escrever durante estas semanas, porque estive mais ligada ao mundo exterior do que é habitual em mim e tentei exprimir o que sinto em relação ao que me rodeia o melhor possível. Também gostei bastante de escrever sobre o Memorial do Convento e tenciono escrever mais e melhor sobre o mesmo, pois é um romance com muito potencial de reflexão a vários níveis.
Deste modo, considero que os resultados até agora foram positivos.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Narrador?
Narrador - Aquele que narra
Narrar- expor, contar, historiar
Segundo Saramago nenhuma obra tem narrador, ou seja, na arte, quer ela seja literária ou plástica, não existe um intermediário entre o autor e o público.
Se o autor é o criador e cria um narrador para contar uma história, escolhendo as suas qualidades, ou seja, se esse narrador saberá tudo sobre o mundo da obra ou se vai saber apenas parte, se vai comentá-la ou vai ser objectivo, se se vai envolver ou se vai manter uma distância, isto é, se cria uma personagem para contar aquilo que ele criou e que terá de saber tanto quanto o próprio criador para historiar, então o narrador é o próprio autor, é parte dele.
O narrador é uma personalidade criada através da própria personalidade do autor para contar uma história ou transmitir uma opinião e mesmo que as características dessa personagem não se identifiquem imediatamente com as do autor, acredito que seja parte sua, como um heterónimo. Não é concebível, para mim, separar autor e narrador pois estão intimamente relacionados, visto que a perspectiva da história que o narrador transmite é a do autor. Os dois são um, sendo que o narrador pode ser um fragmento do autor, o que nos remete para a crença de Fernando Pessoa de que somos plurais, capazes de nos desmontar em vários seres, se o quisermos.
Assim, não posso concordar nem discordar, pois há narrador, mas este é sempre o seu autor.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Passado e Presente


quinta-feira, 23 de abril de 2009
Eu perto de ti, tu distante de mim.
Vejo-te, teus longos cabelos morenos,
Travessão que os doma,
Que indomável é a tua natureza de mulher.
A tua silhueta fluida como tinta da china sobre papel
Plana pelas ruas, qual andar divino,
Que me faz parar e admirar,
Como pincel que percorre vagarosamente a obra de arte.
Viras-te.
Oh! Blimunda minha!
Tu que com mero olhar me despes de mim
E expões o meu sangue quente que lateja consonante com o ondear dos teus cabelos.
Blimunda! Teus olhos profundos da cor da tua alma,
Que tudo em mim vêem e não me deixam mentir,
Eles que me percorram como eu te percorro,
E descubram o que eu não consigo descobrir em mim.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Pontuação
Assim começa, desenvolve e finaliza Saramago as suas obras, só e apenas com vírgulas e pontos. A consequência superficial desta inovação são páginas pesadas, densamente negras, que eventualmente terão um avanço, um rasgo de branco puro ao centro da página par e outro no fundo da página ímpar. A outra consequência, aquela para quem não é demovido de ler o livro apesar da sua aparência negra, é a de um ritmo de leitura bastante 'rápido', no sentido de se procurar um ritmo oral natural, falado.
São estas palavras que os alunos ouvem naquela sala sem paredes, com tecto frondoso e chão relvado. Os objectivos tiram notas mentais, dactilografando a informação na tábua da memória, secção escolar, alínea português. Os subjectivos pegam no parágrafo e levam-no pela mão para o passeio do inconsciente. Acompanharemos os últimos.
Só e apenas vírgulas e pontos, diz para si, A vírgula e o ponto constituem a base da pontuação. Pode-se tirar tudo, mas não podemos tirar a vírgula e o ponto! Isto porque estão em tudo, encontramos pausas curtas e longas em tudo, a pausa do anúncio da kitkat, o dormir e o antes de acordar, a alternância entre o inspirar e expirar, o pestanejar (vírgulas sucessivas e rápidas), as cadências à dominante e as cadências perfeitas, os goles de água e o último ahhh da garrafa. Tudo tem pausas, até o nosso andar tem um ritmo próprio, pensa para si exaltado, Acho que o meu andar é 'virgulado', porque eu até ando relativamente rápido, já o da minha professora é mais 'pontuado', mais sereno. É, é isso, tenho um andar virgulado, pensa sorrindo para si.
Os companheiros separam-se. O aluno volta para a relva e o parágrafo perde-se nas ruas da memória.
A matéria e o sonho

